Linguagem hipermidiatica
Enviado em 8 de Setembro de 2009
Publicado por Exploranter | Enviar por e-mail
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Se tomarmos textos de filosofia da fotografia como base para o nosso raciocínio, veremos que no caso das definições e usos de Hipertextos, Hipermídia e Multimídia, estamos ancorados no passado.
Como assim? Se o mundo da fotografia nos remete a um plano pós-histórico, onde a análise causal é de pouca valia, ao passo que análises formais, funcionais preponderam, perceberemos que as definições destes termos Hipertextos, Hipermídia e Multimídia remetem a uma forma anterior de se pensar.
No paradigma anterior, maquinas eram construídas aa imagem e semelhança do homem, afinal, serviam para substituir o trabalho humano. Esta foi a essência da Revolução Industrial Inglesa: uma só maquina fazia o que centenas de trabalhadores faziam.
O atual desenvolvimento tecnológico nos colocou numa situação inédita, pois as novas tecnologias são capazes de produzir resultados nem imaginados antes, ou seja, não estão cobrindo uma demanda, mas sim estão gerando uma nova necessidade, que é a necessidade de fazer tudo o que as novas tecnologias permitem.
Mas ha uma lacuna neste raciocínio, que é a dificuldade do cidadão médio de seguir caminhos de raciocínio novos, por estarem viciados nas formas de pensar estimuladas por ferramentas antigas.
Trazido para o contexto da comunicação, vemos que não é a televisão que herdou traços do radio e que também não foi a internet que herdou traços da televisão. O que de fato ocorre é que estamos encontrando dificuldade de nos libertarmos de nossas formas viciadas de enxergar e pensar o mundo. Trouxemos vícios de radio e impusemos AA televisão. Trouxemos vícios de televisão e impusemos AA internet.
Mas a tecnologia ultrapassou o homem! A tecnologia atual evolui de forma muito mais rápida do que estamos habituados a nos adaptar. Como exemplo raso, quantas pessoas usam o computador, apenas como maquina de escrever?
Quando vemos todas estas definições, percebemos que elas são rasas, amarradas ao que esta na superfície. Assim como pensavam que o átomo era indivisível, estas definições ainda consideram apenas as partes visíveis ou audíveis da experiência hipermediatica. As partes visíveis ou audíveis são herdadas da televisão, radio ou de impressos. E porque as víamos nas mídias anteriores, naturalmente as procuramos nas novas mídias.
Mas na verdade deveríamos dividir este átomo. Em quantas partes podemos dividir a linguagem hipermidiatica, alem daquelas que as mídias tradicionais nos ensinaram? Pois somente ser não linear, interativo e em rede não basta.
Estamos deixando escapar algo. Algo grande e já viabilizado pelas novas tecnologias poderia estar acontecendo.
Por exemplo, imagino uma forma de pensar musica que se distancie dos instrumentos, aqueles artesanalmente feitos e refeitos ha séculos, e que passe a ter relação direta com as emoções que podem causar a quem as escuta. O caminho desta nova musica não vai pela estrada das notas e escalas musicais como as conhecemos. Esta nova musica seria fruto de estudos neurológicos, psicológicos e psiquiátricos e teria como resultado conjuntos de sons com efeitos sobre o humor das pessoas, cientificamente pensado, não artisticamente. E quem não adoraria ter no seu IPod (ou seria um chip subcutâneo?) ao invés de uma coleção de musicas, uma coleção de emoções, a escolher.
E se esta nova musica, estivesse acoplada a experiências visuais e sensoriais, tudo on-demand e totalmente cientificamente estudado?
Na parte das artes visuais já temos o exemplo dos fractais, que são uma espécie de arte, totalmente intrigante, criada por cálculos matemáticos. E que seguram a atenção de quem as vê mais do que muitos quadros realistas ou impressionistas…
A tentativa com o texto de Clarice Lispector, feita em http://telepoesis.net/amorclarice/amor.html é interessante, mas não trouxe ingredientes novos. Ha o texto, interativo sim, a musica e a não linearidade, mas é apenas uma forma de mostrar o antigo, com um pequeno ar de modernidade. Nada alem disto. Ha mais que pode ser feito. Tecnologia ha. Só temos que nos livrar de modelos de pensar antigos.
Na parte dos textos, a Web 3.0, a Web Semântica, já esta levando a noção de não linearidade a extremos.
A internet começa a brincar com semântica, como por exemplo no site http://translationparty.com
As experiências com Augmented Reality já estão acessíveis a qualquer um com acesso a internet e uma webcam.
O fato é que estamos vivendo uma época de mudanças muito maiores do que o cidadão mediano tem a capacidade de absorver. E não só o cidadão médio terá que trabalhar em dobro; os estudiosos também. Estes terão que atualizar suas definições e convicções na mesma velocidade que novas ferramentas, possibilidades e formas de fazer aparecem.
Hibridismo sim, é um conceito forte, pois entende o todo. E só no extremo do hibridismo, quando não conseguirmos mais identificar as partes que formam o todo, que teremos um conceito de hipermídia verdadeiro. Uma hipermídia na qual poderemos entrar e ter experiências sensoriais ate agora impensadas.
E então teremos que redefinir os termos.
By Flavio Melo - Exploranter
em conjunto com Marilia Nogueira de Melo Oliveira - Comunicacao - FAAP
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