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Linguagem hipermidiatica

Se tomarmos textos de filosofia da fotografia como base para o nosso raciocínio, veremos que no caso das definições e usos de Hipertextos, Hipermídia e Multimídia, estamos ancorados no passado. 

Como assim? Se o mundo da fotografia nos remete a um plano pós-histórico, onde a análise causal é de pouca valia, ao passo que análises formais, funcionais preponderam, perceberemos que as definições destes termos Hipertextos, Hipermídia e Multimídia remetem a uma forma anterior de se pensar.

No paradigma anterior, maquinas eram construídas aa imagem e semelhança do homem, afinal, serviam para substituir o trabalho humano. Esta foi a essência da Revolução Industrial Inglesa: uma só maquina fazia o que centenas de trabalhadores faziam.

O atual desenvolvimento tecnológico nos colocou numa situação inédita, pois as novas tecnologias são capazes de produzir resultados nem imaginados antes, ou seja, não estão cobrindo uma demanda, mas sim estão gerando uma nova necessidade, que é a necessidade de fazer tudo o que as novas tecnologias permitem.

Mas ha uma lacuna neste raciocínio, que é a dificuldade do cidadão médio de seguir caminhos de raciocínio novos, por estarem viciados nas formas de pensar estimuladas por ferramentas antigas.

Trazido para o contexto da comunicação, vemos que não é a televisão que herdou traços do radio e que também não foi a internet que herdou traços da televisão. O que de fato ocorre é que estamos encontrando dificuldade de nos libertarmos de nossas formas viciadas de enxergar e pensar o mundo. Trouxemos vícios de radio e impusemos AA televisão. Trouxemos vícios de televisão e impusemos AA internet.

Mas a tecnologia ultrapassou o homem! A tecnologia atual evolui de forma muito mais rápida do que estamos habituados a nos adaptar. Como exemplo raso, quantas pessoas usam o computador, apenas como maquina de escrever? 

Quando vemos todas estas definições, percebemos que elas são rasas, amarradas ao que esta na superfície. Assim como pensavam que o átomo era indivisível, estas definições ainda consideram apenas as partes visíveis ou audíveis da experiência hipermediatica. As partes visíveis ou audíveis são herdadas da televisão, radio ou de impressos. E porque as víamos nas mídias anteriores, naturalmente as procuramos nas novas mídias. 

Mas na verdade deveríamos dividir este átomo. Em quantas partes podemos dividir a linguagem hipermidiatica, alem daquelas que as mídias tradicionais nos ensinaram? Pois somente ser não linear, interativo e em rede não basta.

Estamos deixando escapar algo. Algo grande e já viabilizado pelas novas tecnologias poderia estar acontecendo.

Por exemplo, imagino uma forma de pensar musica que se distancie dos instrumentos, aqueles artesanalmente feitos e refeitos ha séculos, e que passe a ter relação direta com as emoções que podem causar a quem as escuta. O caminho desta nova musica não vai pela estrada das notas e escalas musicais como as conhecemos. Esta nova musica seria fruto de estudos neurológicos, psicológicos e psiquiátricos e teria como resultado conjuntos de sons com efeitos sobre o humor das pessoas, cientificamente pensado, não artisticamente. E quem não adoraria ter no seu IPod (ou seria um chip subcutâneo?) ao invés de uma coleção de musicas, uma coleção de emoções, a escolher.

E se esta nova musica, estivesse acoplada a experiências visuais e sensoriais, tudo on-demand e totalmente cientificamente estudado?

Na parte das artes visuais já temos o exemplo dos fractais, que são uma espécie de arte, totalmente intrigante, criada por cálculos matemáticos. E que seguram a atenção de quem as vê mais do que muitos quadros realistas ou impressionistas…

A tentativa com o texto de Clarice Lispector, feita em http://telepoesis.net/amorclarice/amor.html é interessante, mas não trouxe ingredientes novos. Ha o texto, interativo sim, a musica e a não linearidade, mas é apenas uma forma de mostrar o antigo, com um pequeno ar de modernidade. Nada alem disto. Ha mais que pode ser feito. Tecnologia ha. Só temos que nos livrar de modelos de pensar antigos.

Na parte dos textos, a Web 3.0, a Web Semântica, já esta levando a noção de não linearidade a extremos.

A internet começa a brincar com semântica, como por exemplo no site http://translationparty.com

As experiências com Augmented Reality já estão acessíveis a qualquer um com acesso a internet e uma webcam.

O fato é que estamos vivendo uma época de mudanças muito maiores do que o cidadão mediano tem a capacidade de absorver. E não só o cidadão médio terá que trabalhar em dobro; os estudiosos também. Estes terão que atualizar suas definições e convicções na mesma velocidade que novas ferramentas, possibilidades e formas de fazer aparecem.

Hibridismo sim, é um conceito forte, pois entende o todo. E só no extremo do hibridismo, quando não conseguirmos mais identificar as partes que formam o todo, que teremos um conceito de hipermídia verdadeiro.  Uma hipermídia na qual poderemos entrar e ter experiências sensoriais ate agora impensadas.

E então teremos que redefinir os termos.

By Flavio Melo - Exploranter

em conjunto com Marilia Nogueira de Melo Oliveira - Comunicacao - FAAP

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“The beauty is in the eye of the beholder” – não importa quem, quando ou como, em fotografia temos liberdade. Liberdade ampla, tanto de agir, como de sentir ou analisar.

Num mundo parametrizado por máquinas, feitas aa imagem e semelhança do homem, fotografar ou apreciar fotos, nos leva a um plano pós-histórico, onde a análise causal é de pouca valia, ao passo que análises formais, funcionais preponderam.

Estamos diante de uma mudança de paradigmas. Tomando o ultimo paradigma, do mundo mecanizado, tínhamos a criação dos aparelhos segundo a morfologia do próprio ser humano, para uma seguinte alienação desta origem e o entendimento do aparelho como paradigma de ação. Na fotografia, principalmente na fotografia experimental, que desafia a máquina, forçando a resultados não previstos na fase de programação da máquina, abstraímos do aparelho e nos concentramos no resultado.

Ao abandonarmos a estrada dura dos programas imutáveis incutidos nos aparelhos, nos aproximamos de um protótipo do novo homem, livre. Livre para agir, pensar, analisar, apreciar.

Curiosamente, apesar da fotografia permitir visualizarmos o protótipo do novo homem, este mesmo homem parece  ter sido esquecido na definição formulada por alguns autores dos conceitos-chave da fotografia: imagem, aparelho, programa, informação.

Percebemos claramente que a mente que vaticinou que estes seriam os conceitos-chave da fotografia, o fez a partir de um modelo mental formatado no paradigma dos instrumentos, do mundo dominado por máquinas e suas idiossincrasias.

Na esteira destes conceitos chave, criou-se a definição de que fotografia seria imagem produzida e distribuída por aparelhos, segundo um programa, a fim de informar receptores.

Nesta definição, esqueceu-se o estudioso da essência da foto, que é a percepção humana, que torna todo o resto em acessório superveniente.  

Distanciando-se a fotografia de sua tangibilidade, deixando de ser entendida como instrumento, e passando a modelo de pensamento, e, estando toda uma sociedade, ainda que inconscientemente, adentrando este novo universo de entendimento de seu entorno, chegamos aa conclusão que estamos diante de uma nova estrutura de existência do mundo e da sociedade.  Uma sociedade livre de amarras mentais, aberta ao subjetivo, liberta dos nexos causais, enfrentadora dos aparelhos e programas unilateralmente impostos. Descortina-se diante de nós a possibilidade de vivermos livremente, graças ao modelo mental inerente aa fotografia. Fotografemos! 

By Flávio Melo - Exploranter

em conjunto com Marilia Nogueira de Melo Oliveira - Marketing - FAAP

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Novas Mídias e Mídias Sociais X Mídias Tradicionais: estamos diante de uma revolução. E esta revolução esta sendo mascarada no Brasil. 

O mercado Brasileiro faz de conta que apenas uma nova forma de mídia apareceu e a esta nova mídia estão aplicando pensamentos e métricas tradicionais.

Ate a chegada da internet tivemos evolução. Os anúncios migraram da mídia impressa, para o radio e depois para a televisão. Era a mesma forma de pensar: interrompa o consumidor em seu momento de maior interesse e passe o seu recado. Tudo unilateralmente. O poder de comunicar estava com o anunciante. Ao consumidor, apenas o direito de desconfiar da propaganda e conversar com SAC desinteressado e tendencioso.

Nos primórdios da internet ate era compreensível que o modelo se repetisse e as agencias de publicidade procurassem os principais portais para anunciar, como quem procura Prime Time na Globo e que se remunerasse por CPM, vulgo audiência cibernética.

Mas agora, mais de 15 anos apos a chegada da Internet e pelo menos 5 anos apos o seu uso massivo, o mercado mantém seus cacoetes.

Onde era para ter acontecido uma revolução, fizeram uma mal ajambrada evolução. Num ambiente intrinsecamente multi-direcional que são as mídias sociais e as mídias  digitais, teimam em colocar anúncios. Deveriam estar gerando relacionamento, dialogo e não tentando comunicar.

O que diferencia evolução de revolução?

Numa evolução reconhecemos uma linguagem comum, uma linha mestra. Numa revolução esta linha mestra se quebra. Ha a substituição total de um modelo pelo outro.

O fim do oligopólio das grandes mídias na capacidade de comunicar para o grande publico eh a grande revolução trazida pelas mídias sociais. Hoje qualquer um com acesso a internet fala com o mundo.

Outra faceta desta revolução eh o fim da comunicação de mão-única. Se antes as marcas detinham o monopólio da comunicação de seus atributos, hoje as marcas são mais mencionadas por seus consumidores do que por elas mesmas. As marcas perderam o controle direto sobre a imagem de seus produtos. Hoje o controle da marca passa necessariamente pelos dedos dos consumidores que postam suas opiniões, amores e dissabores em relação aos produtos que consomem.

A palavra-chave desta revolução eh circulo de confiança.

No modelo anterior não havia circulo de confiança. O cenário era composto por marcas que se auto-elogiavam, em canais de mão-única. O consumidor era pólo passivo. Recebia mensagens. No Maximo, desconfiava da mensagem.

Ao mudarmos do modelo de mão-única para o modelo de mão-dupla ou multilateral, alem de podermos nos comunicar com facilidade com os fornecedores de nossos produtos ou serviços, poderemos nos comunicar com outros consumidores que tem o mesmo ponto de vista.

Consumidores vêem-se uns aos outros como pares, “peers”. Pares confiam uns nos outros. Eh o circulo de confiança.

Erram as agencias de publicidade ao continuar a criar pecas publicitárias. Em épocas de circulo de confiança, são necessárias ações publicitárias. Pecas publicitárias são mão-única. Ações publicitárias envolvem o consumidor.

Numa revolução tudo muda, ate a relevância dos players. As agencias de publicidade, que se consideravam o supra sumo poderão perder seus postos para agencias especializadas em eventos, pelo simples fato de que estas já estão ha muito mais tempo pensando em criar relacionamentos. Quem cria relacionamento tem acesso ao circulo de confiança. Estas agencias de eventos eram tão desprezadas, que seus produtos tinham um nome horrível: BTL – Below The Line… Como diria o Vitor Oliva, Below The Line eh o “piiiiiii”

Para estas agencias de eventos, basta adaptar ferramentas, usar mais a internet. Para as agencias tradicionais, o salto eh muito maior, quase intransponível, que eh o de abandonar o seu porto seguro e aceitar que ele esta afundando. Quem continuar amarrado ao cais afundara junto.

E em quanto tempo afunda este porto?

O porto já não tem pilares de sustentação. Ha muitos navios grandes amarrados a este porto e são estes navios que artificialmente não o deixam afundar.

Precisamos que venha uma tempestade ou um navio pirata e corte as cordas. Ou melhor ainda, que os marinheiros destes grandes navios os abandonem, montem suas pequenas naus livres de amarras, mais adequadas a estes tempos de constante mudança.

Da para ser mais claro?

Sim. O “porto” é o modelo de negócios baseado na formula “poucos canais de mídia com contratos milionários” – o oposto disto e a pulverização das mídias, com uma multiplicidade de pequenos contratos para gerir.

Eh um modelo muito mais complicado, instável, mas eh o modelo inevitável, trazido pelas mídias sociais e pelas novas mídias.

Ele eh instável porque como num tabuleiro de ouiji, são tantas mãos no copo, que ninguém tem certeza para onde vai o copo. A cada mês, a cada dia, um blog, um site dispara em audiência e tantos outros despencam. Agora compare com a hegemonia da Globo. Quantas vezes isto mudou nos últimos 30 anos?

Plano de mídia anual? So no modelo antigo. No novo modelo se poderá fazer um plano macro, alocando-se volumes de dinheiro a tipos de ações, mas os canais (sites, blogs, etc) a serem efetivamente usados terão que ser definidos em cima da hora, sob pena de investir num canal (site, blogs, etc) que já não tem mais relevância para aquele publico-alvo.

Eh complicado porque a pulverização implica necessariamente em uma mutiplicidade de tipos de contratos, com parceiros que vão de portais a blogueiros.

Mas mais do que fugir de uma nova forma de pensar, os que lutam pela manutenção do Status Quo, lutam por uma forma conhecida de ganhar dinheiro.

Qual Status Quo?

BV. Bonificação por volume. Lenda Urbana ou não, diz-se pelo mercado que uma grande agencia de publicidade tem como política corporativa que seus planos de mídia incluam 80% entre Globo e Abril. Com os outros 20% seus criativos e seus mídias podem brincar. Em outras palavras, depois de garantido o faturamento da agencia, sejam criativos e inovadores.

Com interesses destas proporções, o mercado esta longe de uma mudança significativa. Ou, quem sabe teremos uma revolução total, com a total troca de players do mercado, por total desatualização dos atuais capitães da industria da propaganda Brasileira.

Mais uma vez!

Não se trata de uma nova mídia. Trata-se de um novo modelo de pensamento. Teimar em colocar anúncios na internet não eh o novo modelo. O novo modelo necessariamente passa por gerar relacionamento e aproximar-se do circulo de confiança do consumidor. Portanto, nada de posts patrocinados em Blogs! Este eh o atalho mais artificial e perigoso para o circulo de confiança dos consumidores.

Qual era mesmo o titulo da reportagem? “Marketing tenta se adaptar a era das redes sociais” – Será? Será que esta tentando mesmo? Ou será que esta empurrando com a barriga? Um ou outro player não conta. Quero ver o mercado inteiro agindo. Ai sim acreditarei que estão tentando se adaptar.

By Flavio Melo - Exploranter

Em conjunto com Marilia Nogueira Melo Oliveira - Marketing - FAAP 

 

 

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Relatório - Peça Teatral - Os Figurantes

Peça: Os Figurantes

 

Ficha Técnica
Direção Artística: Cacá Carvalho
Elenco: Daniel Ribeiro, Joana Levi, Juliana Grave, Laila Garin, Leonardo Ventura, Marcelo Valente e Raquel Tamaio
Produção Executiva: Pedro de Freitas/Périplo Produções Culturais
Dramaturgia: Cláudia Barral e Elenco
Coordenação de Produção: Carla Pollastrelli
Colaboração Artística: Roberto Bacci

 

Local: Casa Laboratório para as Artes do Teatro - R. Cons. Brotero, 182 - Barra Funda - Oeste. Telefone: 3661-0068. Ingresso: R$ 20.

 

Horários: quinta a sábado: 21h. - domingo: 19h.

 

Sinopse: Personagens urbanos tentam ser protagonistas de suas vidas, mas continuam figurantes.

 

 

Espaço:

 

Na Barra Funda, bairro onde outros 5 ou 6 grupos de teatro mantém suas sedes, ocupa o espaço de uma casa geminada estreita. Na entrada o guichê e simpáticos sofás. Passada a porta de acesso ao interior do espaço de espetáculos, amplos degraus ao lado direito formam a platéia, à frente o espaço cênico direto no piso, não elevado. Ao fundo janelas de vidro, tipo persiana, pintadas para não serem translúcidas (foram interessantemente abertas durante a peça, mostrando um espaço preenchido por uma luz vermelha, mostrando a capacidade de ampliação de espaço cênico e sensorial do grupo.)  

 

Recepção:

 

O próprio Cacá Carvalho nos recebe. Fecha a porta de ferro que dá para a rua, transformando a ante-sala em espaço pré-cênico/tribuna/palanque político. Dá as boas-vindas, agradece a presença e inicia uma série de agradecimentos/críticas ao sistema, que para o não iniciado podem parecer linguagem hermética. No fundo, tudo muito pessoal, de coração, humano.

 

Pontos Altos:

 

- Espaço cênico sem coxias, trabalhado pelos próprios atores, transforma-se organicamente, com ótima exploração dos planos baixo, médio e alto, inclusive com perspectivas que fogem ao horizontal.

 

- Sonoplastia + voz dos atores em uníssono remetem nitidamente ao caos urbano. Jura-se estar numa esquina barulhenta da metrópole.

 

Iluminação:

 

Bem utilizada, mas básica. Fora um momento em que o único ponto de luz foi um aquário (com um Peixe Dourado dentro) pendurado e iluminado por dentro, as demais tomadas de luz seguiram um padrão ortodoxo, sem experimentações.

 

Som:

 

Bom conjunto de música e sonoplastia. Pela reação do público, tocar Amy Winehouse num determinado da peça foi bem acertado. O público embarcou na emoção da cena.

 

Atores:

 

Destaque para o ator magro, de barba, que emprestou sua imagem e voz com maestria para o personagem.

 

Também destaque para a atriz que num piscar de olhos trocava de personagem, com um simples movimentar de tecidos, que fazia aparecer em cena um bebê, numa fração de segundos, transformando seu xale num embrulhinho de colo enquanto girava o corpo.

 

Um ator ainda estava mais no texto do que na relação. O seu personagem queria comprar uma moto.

 

Realçados estes destaques, os outros atores desempenhavam muito bem seus papéis. Foi marcante a forma como os atores tinham uma noção de espaço, uns dos outros e de timing. Uma peça de intensa movimentação, de atores e de elementos de palco, ocorreu em sincronia.

 

Com raríssimos momentos de pausa preenchida, as falas eram por vezes encavaladas, outras vezes concomitantes. Impressionou também neste quesito a capacidade dos atores de manter-se em seus textos, mantendo aberta a percepção para o movimento dos outros atores, que acontecia de forma caótica, com todos falando em voz alta ao mesmo tempo. Um dos pontos altos da peça aconteceu numa situação destas, na qual se poderia jurar estar em meio ao caos da metrópole. 

 

Roteiro:

 

Numa proposta arrojada de cada ator trazer seus textos e em conjunto os descontextualizar, exageraram. Faltou uma linha condutora, por mais que esta fosse a proposta…

 

Minha percepção:

 

Divido a minha percepção em duas partes: a análise das partes e do todo. Na análise das partes, gostei, até por ser o resultado de um galpão de laboratório de teatro, que em sua essência busca testar linguagens e formatos. Tiveram muito sucesso nisto, em oferecer diferentes perspectivas, ligando trabalho corporal, trabalho de palco e linguagem. No todo não gostei, porque a linha de ligação ficou faltando. O roteiro faltou.

 

O tema tão importante e interessante como este, ficou solto, numa série de pensamentos correlatos, mas desconexos. Busquei uma linha de história, mas não encontrei.

 

Apesar de ser esta a proposta, de descontextualizar as cenas, de todos os experimentos, este foi o que não me agradou. Isto é uma condição bem pessoal minha. Adoro cronologias reversas, histórias complicadas, daquelas que cada segundo conta e nenhuma cena pode ser desconsiderada. Não foi o caso. Pena. Mas num ambiente de experimentação, nem sempre se agradará a todos e o mérito deve ser dado aos que tentam, mais do que aos que se agarram à tabula rasa da não criatividade.

 

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By Flavio Melo - Exploranter

9 luxos Imateriais - 1 foto resume tudo

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By Flavio Melo - Exploranter

Ócio e Luxo - Nove Privilégios

Em seu livro Zig-zag (editora Einaudi), Hans Magnus Enzensberger, um dos mais notáveis intelectuais alemães, escreveu que atualmente sobressaem seis aspectos: 
1 - O tempo, sobretudo dos empreendedores e dos profissionais mais ocupados, que terminam por sacrificar, pelo sucesso, as alegrias da amizade e do amor;
2 - A autonomia, que consiste em não estar sob as ordens de um chefe ou de não ser manipulado pela mídia de massa;
3 - O espaço, cada vez mais consumido e limitado pelo crescimento populacional, do trânsito congestionado, das pilhas de objetos  inúteis em nossas casas;
4 - A tranquilidade e o silêncio, ameaçados pela poluição sonora, fruto da vida urbana, e pelas filas ou aglomerações de pessoas que tiram a sua solidão sem te dar companhia;
5 - O ambiente saudável, feito de ar, água e alimentos não contaminados;
6 - A segurança, não aquela mal-garantida por guarda-costas, dispositivos de alarme e seguros de vida, casa ou veículo, mas aquela que vem de um contexto pacífico, no qual a simpatia prevalece diante da competitividade; 
A esses bens cada vez mais raros (e, portanto, mais luxuosos), indicados por Enzensberger, Domenico de Masi acrescenta outros três:
7 - A convivência, com a qual se pode superar a solidão de todos que, pela idade, profissão ou caráter, correm o risco de cair num isolamento não natural, e com certo sofrimento;
8 - O ambiente criativo, que consiste em demonstrar as nossas melhores qualidades, isto é, a fantasia e a realidade, a racionalidade e as emoções;
9 - A beleza, que permite viver entre coisas e almas felizes, além de não serem caras e complexas.
Os empreendedores, os managers, os políticos e os banqueiros têm espaço e segurança, mas não têm tempo e nem tranquilidade. Os seus filhos, por sua vez, são desocupados e, com isso, têm tempo, mas não autonomia, nem a possibilidade de colocar em prática sua própria criatividade. 
O luxo verdadeiro, portanto, consiste em possuir todos estes nove privilégios.
Portanto, no futuro, as vidas mais luxuosas serão as mais simples e as mais reservadas. Imagine estar em uma viagem e abandonar por uma vez a via obrigatória da estrada, dura e inflexível, percorrida a uma velocidade insensata.
Assim, é possível conceder a si mesmo a alegria de um slow trip por uma estrada secundária, que se apresenta em curvas livres e indolentes. 
E você, caro leitor, poderá finalmente entrar em estado de graça.
Isto dá uma visão clara de que, finalmente, o único e verdadeiro luxo consiste no ócio criativo, feito de tempo sem fim, de espaço sem fronteiras, de silêncio sem ruídos, de segurança sem proteção, de diversão sem inibições, de beleza sem exibicionismo, de amizade sem interesse, de amor sem tabu.
Fonte: Revista Wish, ano 1 número 5 página 16/17 - de Domenico de Masi, na coluna Atrium Sociologa - 2005

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By Flavio Melo - Exploranter

Top 5 Twitter Analytical Tools


Top 5 Twitter Analytical Tools July 9, 2009

Posted by StrategicGrowth in Social MediaStrategic Growth ConceptsTwitter,Web 2.0
Tags: Barack Obamademographic targetsObama use of social networking,ROISocial Mediasocial media strategiessocial networksStrategic Growth ConceptsTweetPsychTweetStatsTwinfluenceTwitterTwitter analytical toolsTwitter AnalyzerTwitter GraderTwitter marketingWeb 2.0
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As every marketer knows, if a marketing strategy is worth implementing, it’s worth measuring.  That includes social media strategies in spite of the fact that there is currently no cost involved in utilizing them.  It is still to your benefit to analyze the exposure that they are providing to your firm.  To help you in this endeavor, here is an excellent article that provides access to very useful tools to help you evaluate your company’s use of Twitter.  Check them out for yourself; you might be surprised at all the information they can provide you!

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by Ron Calleri, InventorSpot.com

What kind of footprint have you made in the Twitterverse? Do you know your Twitter ROI, your Twitter influence or stats that determine your Twitter psychographics? In the social media world, this data is becoming easier and easier to access as new analytical tools become available… and now you can track it.

Twitter Analysis Tools graphicBecoming more and more significant, social networking analytics will be used by companies to determine what type of consumer you are, and by prospective employees to consider you for hire. As a modernized version of the Kevin Bacon paradigm, social media has reduced our ‘connectivity to others’ from 6 to 3 degrees.

Most Twitter users are seeking exposure. Whether that reach is to sell a product or oneself, it’s up to the user. How they perform on Twitter to meet that goal will determine brand advocacy. The ones that work to perfect relationships and loyalty will thrive, while those that fall short of this goal tend to lose interest and drop off. One needs to know the value of the Twitter resource and the investment of time that is required to become a successful member of the Twitterverse.  

Similar to our every day lives, if one focuses on creating value, building transparency and becoming  authentic, the greater chance one has in making an impact on Twitter. I relate these personality traits to our newly elected president Barack Obama. He embodies these characteristics and could be the reason he was elected to highest office in the land  (also see previous blog that discusses Obama’s use of social networking)

So social networking analytics are the tools to both qualify and quantify our worth. Here, I have selected what I feel are the top five analytical tools that are available to us today. They will help us determine various aspects of our Twitter make-ups. Not totally perfected and some are still in beta format, I suggest you explore these tools to best analyze your brand and the value and reach of your tweets.

1) TwitterAnalyzer    
TwitterAnalyzer is one of the most comprehensive Twitter analyzer toolsTwitter Analyzer graphic out there. It tracks followers who are online when you are, number of readers that have been exposed to your message, your tweet habits, who is retweeting your updates, twitter follow statistics, growth rates, conversations being made about you, the size of your audience and your followers’ demographics. It will let you research the way your fellow tweeps behave. It will surface which messages they answer and which ones they paid attention to, drilling down to their occupations and which users and are in your line of work.

2) TwInfluence
TwInfluence is a  tool for measuring the combined influence of your Twitter account and followers, and then assessing your reach through the quality ofTwinfluence graphicyour followers. Since all users and all followers are not created equal, this analysis will determine the “horizon of communication” that extends beyond your own direct contacts. This is demonstrated whenever somebody “retweets” your message and its influence begins to create ripple effect throughout the Twitterverse. TwInfluence uncovers one’s reach, elocity and social capital, and its worth the time to spend with this tool to learn how these components interact.

3) TweetStats
TweetStats will graph your total tweets by the month, by the day, and by the hour. It also tells you your number of @replies and which interface you used to Twitter your tweets. By calculating the volume of your tweets andTweetstats graphic retweets it quantifies your tweet density. Most people who say they get no value from Twitter should first look at their usage and consistency to realistically evaluate what they have invested in Twitter before they consider the results. This tool also allows you to spy on others or those that have amassed Twitterati fame, as long as you know their Twitter handle.

4) Twitter Grader
Twitter Grader graphicTwitter Grader is another third party app which calculates a grade for a particular twitter on a scale of 0-100. It will show you your ranking in your city, state, and country. It will also show you active and influential Twitter users that you may want to follow. The Tweet Cloud indicates the frequent user words in your Tweets with the most commonly used in larger print. This is very beneficial because its a quick overview of your content.In addition to the TwitterGrader, Hubspot also has aFacebook Grader, Website Grader and Press Release Grader that you should check out as well, if those stats are important to you.

5) TweetPsych
Still in Beta, TweetPsych is a work in progress. Its purpose is to build a psychological profile of a person based on the content of their Tweets. It compares the content of a user’s Tweets to a baseline reading that was built by analyzing an ever-expanding group of over 1.5 million random Tweets, and then highlighting areas where the user stands out. Dan Zarella,the developer behind TweetsPsych continues to expand his set of psychologicalTweetpsych graphic definitions, while also refining the system and its algorithm to better analyze Twitter-specific content.

Dan feels TweetPsych has great potential in matching like-minded users to identifying users that exhibit certain useful or desirable traits. He is asking users to provide him with feedback to improve the system and the technology and take TweetPsych to the next level. Check it out and report back to Dan.

Since all of these tools are free, I suggest taking them all out for a test drive to determine which ones work the best for you. In helping you qualify and quantify your Twitter efforts you can better define your goals. Sometimes, we get so caught up in what we are getting out of something that we often forget to look at we are putting into it. Are you worth following, do you create value for your Twitter followers? Are you an observer or an active participant that is part of a collaborative community? All these questions and more can be better assessed with the assistance of some or all of these tools.

If you honestly look at what you are investing in Twitter and continue to apply an analytical eye, you will slowly begin to benefit from the output and the fruits of your labor.

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By Flavio Melo - Exploranter

My unfortunate story with defective HP Laptops


My laptop motherboard burnt and I can't find international assistance.
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Message 1 of 5 

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I bought two HP Pavilion tx1030la Notebook PC in ChileI lived and worked there.

 

Then I moved back to Brazil.

 

1 and 1/2 year later one of them had its motherboard toastedThe second oneless usedalready lost the wireless and thescreen goes blank very oftenIt will burn soon.

 

From day 1both were extremely hot at the ventsbut since both were like thisI figured it should be some design flaw.

 

I couldn't expect to lose 2 expensive laptopswith touchscreenvoice recognitionhandwriting recognitionfingerprint recognition,full multimedia packageTL50 Processor AMD Turion 64X2120GB hard disk Enhanced IDE 5400 RPM SATA1024 MB RAM667Mhz DDR2DVD+-RW with LightscribeWindows VistaGraphics NVidia and so on.

 

Now I know I am not alone out thereIt happened with a whole bunch of other people and it follows the same stepstoo hot,screen going blankproblems turning on and then death by heatAnd sometimesin the processlosing the wireless function.

 

Now I know it wasn't a design flawIt is an engineering flaw.

 

But what's boiling for meWellbesides having lost 2 new laptops… I am in an HP assistance limboI've been tossed intoobliviononly because I live in a different country than the country of purchase.

 

Sobecause I moved from one country to anotherHP is diregarding the problemas if it did not existHP US does not respond.HP Chile does not respondHP Brazil saidover the phonethat laptops bought abroad won't be serviced in Brazilbut wouldn'tput this into writing.  

 

In my frustrated contact attempts with HP assistance I had just a few simple questions:

 

1Is 1 and ½ years the expected life span of an HP Laptop?

2Is it a flaw in the project that they get so hot(now I know this problem is bigwith many customers around the globe sufferingfrom the same problem.)

3What can I do to prevent the second one from burning too(in a vain effort to stretch the life of the second oneI updated thebios and increased the RAM to max specs)

4What can HP do to help me with my burned laptop? 

 

 

Soanyone out there can shed a light into thisI will be grateful

Kudos!

06-02-2009 04:04 PM   

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By Flavio Melo - Exploranter


Pensão alimentícia: o terço salarial contra as famílias fundadas no amor

Estou certo de ter lido de antropólogos que as mulheres da pré-história tendiam instintivamente a escolher os parceiros levando em conta características que lhes transmitissem a expectativa de sobrevivência: o melhor macho caçador, por exemplo, oferecia o atrativo de segurança para o sustento da futura prole. Não deixa de ser uma escolha baseada no interesse econômico puramente. Essa característica era mais valorizada do que outras. O mais afável, o mais belo eram "naturalmente" vencidos pelos machos mais "capazes". Darwin encontrou neste tipo de evidências o material especulativo para a sua teoria da seleção natural. Os mais fortes eram (ou ainda são) os selecionados, assim os mais fracos com o passar do tempo extinguiam, propiciando a melhora da espécie.

Mas naquele tempo sobreviver significava muito menos que hoje. Sobreviver significava comer suficientemente, dormir à salvo de predadores, agasalhar-se e procriar, o que era um desafio constante, dada a hostilidade do meio ambiente selvagem.

A tecnologia criada pelo homem trouxe o domínio e o controle sobre essa hostilidade natural. Mas as relações interpessoais, por sua vez, tornaram-se muito mais complexas. Viver bem, ser "feliz", hoje é diferente. A seleção natural trouxe muitas novas exigências.

Infelizmente essas exigências estão trabalhando contra a desejada perenidade das famílias e é isto que desconfio ainda não ter sido devidamente percebido. É fato que o índice de divórcios ultrapassou estatisticamente 50% do número de casamentos. É uma epidemia. Onde está o problema?

Dos mais conservadores aos mais liberais, todos concordamos que a família (não só a sua criação, como principalmente a sua manutenção) é importantíssima para o tecido social. A Constituição Federal e o atual Código Civil, como o anterior, nunca divergiram neste princípio. Mas algo sucede que as famílias não vingam, apesar da lei.

Certamente não há uma única causa. Há, porém, uma concausa que vem sendo displicentemente ignorada até aqui.

Perdoem-me aqueles que não pensam e não agem na esteira da anomalia que a partir de agora será prognosticada. A experiência que inspira esta especulação tem foco no casuísmo judicial. Algo como analisar a saúde pública a partir do prisma dos freqüentadores de hospitais. Pessoas sãs não procuram hospitais a não ser por prevenção. São minoria.

Falo mais especificamente de um "cacoete" jurisprudencial herdado da aplicação do anterior Código Civil — e que ainda prevalece — de se fixar as pensões alimentícias invariavelmente em um terço do ganho mensal do pai e ex-marido, em prol do filho e/ou da ex-mulher. O raciocínio é simplista: numa família de três pessoas (pai mãe e um filho), presume-se que o pai gaste 1/3 do seu ganho para prover o filho. Então, uma vez desfeito o casamento, deve manter o mesmo nível de sustento.

Não há bobagem maior. Em primeiro lugar, onde se verifica que um filho consuma cartesiano 1/3 da renda mensal do pai? Pode perfeitamente representar mais, como pode representar menos. A lei atual, como a do anterior Código Civil, sempre prestigiou o binômio possibilidade-necessidade, mas é curioso a força que tinha e ainda tem esse "cacoete" do 1/3.

O grande dilema é este. Ou melhor, a conseqüência que isto traz na formação e manutenção das famílias.

Quem ignora que há uma generalizada desconfiança nas relações amorosas por conta desta inflexível perspectiva? Não há quem faça um "plano A" sem cogitar internamente um "plano B". A cogitação deste "plano B" é alimentado pelo fantasma do 1/3.

A repetição da tal fórmula está tão consagrada na história jurisprudencial em se tratando de pensão alimentícia, que não há um só leigo que não a conheça. Você pode constatar isto em qualquer estrato social, mesmo nos mais modestos. Entre brincadeiras há sempre a advertência de algum amigo ou parente, algo jocosa, algo premonitória: "cuidado com esse casamento; se você se separar ela levará um terço do seu salário para sempre!". Já existe até um estigma para homens separados que pagam pensão alimentícia, que corre à boca pequena entre as mulheres e possíveis novas pretendentes: "esse aí tem P.A." (sigla de "pensão alimentícia"). O valor do "mercado sentimental" desse "P.A." é desvalorizado. É uma espécie de "capitis diminutio" na disputa por novas parceiras, principalmente as que nunca se casaram e divorciaram: "você que engula minhas "cobras e lagartos", afinal nada pode ser pior do que um "P.A.!"

Tudo não porque se tem um filho de um casamento desfeito, mas porque o tal cacoete do 1/3 dá margem para a ex-mulher infernizar duas décadas e meia a alma do ex-marido (os filhos podem ter pensão até a formação em nível superior, então essa indireta submissão aos caprichos e ao humor da ex-mulher dura quase 1/4 de vida: troque o carro, seja promovido no trabalho etc., e a 'ex' estará à espreita, considerando-se sua eterna "sócia" graças à jurisprudência irracional do 1/3, o que acaba também por desestimular o desejo de evoluir profissionalmente: o vampirizado tende a se acomodar).

Na seleção natural do mercado amoroso, não há mulher que ignore essa realidade do "P.A.", que, justamente por isto, é discriminado em relação aos não-P.As. Terão os "P.As." maior dificuldade de refazer suas vidas sentimentais, ou de tentar construir uma nova família (mesmo com outra mulher divorciada e com filhos: estatisticamente a quase totalidade de credores de pensão alimentícia é de ex-esposas; quando um ex-marido postula pensão é tão raro que vira manchete, tratado como uma anomalia: o sujeito merece um estudo sociológico ou é "aproveitador" ou "vagabundo").

Esta cultura invencível — penso que ainda não se diagnosticou desta maneira — está traumatizando a sociedade e trabalhando contra a formação, manutenção e até reconstrução de famílias. Todos desconfiam de todos por causa disto. É só escutar as conversas de café da tarde em qualquer grupo. A preocupação mais ou menos enraizada é saber se o enamorado tem condições financeiras de garantir a futura família, ou se esse mesmo enamorado é só uma promessa fadada ao insucesso. Foca-se o financeiro. Amor em segundo plano, na melhor das hipóteses.

Até o conhecidíssimo "golpismo" (o casamento por interesse patrimonial) é uma fobia alimentada em boa parte por esse cacoete do 1/3, que ignora quanto efetiva custa a criação digna da prole.

Aliás, confunde-se dignidade com opulência financeira, e provavelmente por isto o mundo esteja crescentemente materialista e pouco ético. Vale-se quanto se pesa. Respeitam-se as marcas da riqueza (confundidas com sucesso) e desprezam-se os valores espirituais de uma sociedade sadia. É daí que nascem os políticos corruptos, os ladrões, os latrocidas, os seqüestradores etc. É a mesma matéria-prima. A moral da grana. A dignidade está mais no dinheiro do que no carinho: quanto mais se tem, mais digno se é. Minha bisavó profetizava, horrorizada já numa época em que a crueza da ganância era mais hipócrita que hoje, repetindo um dito popular: "olha bem onde amarras teu burro!"

Se você tem filhos, certamente em algum momento terá com que se preocupar seriamente. A tendência da pensão de 1/3 é estimular as escolhas dos parceiros por interesse puramente financeiro ou por medo. ninguém quererá fazer filhos e formar famílias com pobres. Se o casamento arruinar, ai menos tem-se um provedor à altura e de deixar o INSS rubro. Assim descartam-se os párias: um terço de pouco é nada. O grande negócio é selecionar o seu "terço satisfatório". O amor é um detalhe secundário e assim as famílias multiplicam-se no mesmo receituário lamentável do cacoete do 1/3.

A operação matemática é primária: dividir por três o padrão de vida do mancebo e verificar se o resultado é aprazível. Se o pretendido atende outros requisitos é de menos, e assim as famílias tendem a serem formadas entre pessoas sem o menor grau de afinidade e cumplicidade. A maldita conta vale para todos os estratos sociais: um terço do salário de um pobre pode perfeitamente ser muito para um miserável. Assim se "democratiza" o pior dos sentimentos por toda a pirâmide, apodrecendo o tecido social. Provavelmente isto explique (mas não justifique) recém-nascidos lançados em latas de lixo e em rios e esgotos: a mãe viu-se no desespero ou na pouca-vergonha de ter que sustentá-lo sozinha. É o desamor alimentado pelo interesse econômico mais cru.

Esse 1/3 estimula a formação de castas e de preconceitos, daí porque a expressão "pária" aqui até assume um sentido quase literal: pobre não entra e rico não sai.

Esta advertência não constitui nenhuma novidade em doutrina de Direito de Família, especialmente quando os maiores especialistas criticam a Súmula 379 a pretexto de fomentar o parasitismo da ex-mulher:

"Aliás, a Súmula 379, caracterizando-se pelo seu "acentuado paternalismo", e refletindo a interpretação "nitidamente influenciada pelas legislações alienígenas", vem, na observação de Brandão Lima, "criando e incrementando a proliferação de uma perniciosa casta social - as parasitas do vínculo matrimonial -, além de fechar cada vez mais as portas da separação consensual" (YUSSEF SAID CAHALI, Divórcio e Separação, RT, 11a. edição, São Paulo, 2005, pág.215).

Os juízes de varas de família têm uma enorme responsabilidade não só jurídica como social para mudar este quadro. O Código já mudou, inspirado na Constituição de 1988, guindando a mulher à mesma condição do homem. Mesmo no anterior Código já existia a equação possibilidade-necessidade. Falta implementar de coração e sem medo essa igualdade. Quando isto acontecer, o índice de casamentos por interesse (e, conseqüentemente, de divórcios) diminuirá, e, assim, o prognóstico constitucional que prestigia os núcleos familiares e a sua manutenção terá eficácia plena.

Aqui também a advertência não tem nada de original para a melhor doutrina:

"A fixação do ponto de equilíbrio ou proporcionalidade entre os recursos do alimentante e as necessidades do alimentando é tarefa, contudo, que às vezes se torna difícil, na medida em que ao juiz sempre assalta a preocupação, de um lado, de não incentivar exigências absurdas do alimentando e a própria ociosidade destes e, de outro, de contornar as manobras maliciosas a que, em certas ocasiões, se permitem os alimentantes para, através da ocultação de suas verdadeiras rendas, furtarem-se ao pagamento de uma prestação alimentícia justa e proporcional a seus efetivos ganhos.

Em tais casos, uma investigação profunda, através do crivo da prova — das condições fáticas já referidas —, é importante e necessária quando se tiver de avaliar, por exemplo, se se está diante de um desemprego malicioso, procurado pelo alimentante através da espontânea rescisão do contrato de trabalho, para criar situação destinada a embasar pedido de redução da obrigação alimentar, ou se, ao contrário, o julgador se depara com situação de absoluta dificuldade, no momento, de obter o alimentante emprego no saturado mercado de trabalho.

Por outro lado, é importante avaliar se o credor dos alimentos, sendo válido para o trabalho e tendo habilitação qualificada, não estaria preferindo a ociosidade para exigir sustento do alimentante.

Na aferição de tais situações, presente deve estar sempre o arbítrio bonus viri do Juiz de Família, seus conhecimentos de ordem geral e o descortino que o mesmo deve ter dos problemas sociais dominantes" (Áurea Pimentel Pereira, Divórcio e Separação no novo Código Civil, Renovar, 11a. edição, Rio, 2004, pág. 143/144).

Fui criado com muito menos do que 1/3 do que hoje ganho. E com dignidade. Possibilitou o que hoje sou. Talvez principalmente por isto, aprendi dar valor ao "difícil". Muito mais do que um terço de dignidade em comparação com o terço que meu pai provavelmente ganhava. Porque o terço que conta, o da humildade da minha mãe, e da sua ética, foram suficientes. É deste amor que o mundo está carente. Não das loterias em que se transformaram as pretensões judiciais de alimentos, que criam miríades de lucro fácil, legiões de sangessugas, vampiros e parasitas. A simplicidade costuma ser melhor conselheira do que a bonança.

Enquanto não se atenta para essa cadeia viciosa, multiplicar-se-ão anciões com ninfetas numa hipocrisia de sangrar os olhos. As famílias do futuro. De viúvas herdeiras ou pensionistas ociosas desde cedo (afinal esses casamentos não duram quase nada…). Os filhos? Títulos de crédito como outros quaisquer.

É preciso superar a tendência atávica das uniões por interesse e atingir o grau de civilidade das uniões baseadas no amor sincero. A base está na família, não no dinheiro que a corrói ou sustenta. Mas o Judiciário precisa combater exemplarmente a contaminação das famílias pelo interesse financeiro mesquinho. 

Fonte: Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 14 de outubro de 2008 - http://jusvi.com/artigos/36538

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This is a very inspiring story:

Nic Fiore, one of America’s most influential ski instructors and a legendary figure at Yosemite’s Badger Pass ski area, where he taught skiing for more than 50 years, has died. He was 88. Fiore, who underwent heart surgery in 2004 and had a stroke in May, died Tuesday in a Fresno nursing home, said his daughter, Cindy Volpa.

The Canadian-born Fiore is said to have taught more than 100,000 people to ski at Badger Pass, one of California’s top ski and snowboard resorts for families.

Dubbed “the maitre d’ of ski at Badger Pass” by one reporter, Fiore was known as much for his heavy French Canadian accent and friendly grin as for his passion for skiing and knowledge of the Sierra.

“Nic is the magnet that draws people back generation after generation,” then-Yosemite Park Superintendent Jack Morehead told The Times in 1988.

Fiore, who was executive director of the western division of the Professional Ski Instructors of America for nearly 30 years, began teaching skiing in Yosemite in 1948.

He directed Yosemite’s Ski & Snowboard School at the Badger Pass ski area for 45 years before assuming the role of “ski ambassador” in 2001.

The ebullient octogenarian continued to hit the slopes nearly every day and teach an occasional ski lesson into the 2003-04 season.

“That he was able to stay in this profession and do what he loved to do for so many years was definitely an inspiration to so many of us,” David Achey, president of the western division of the Professional Ski Instructors of America, told The Times in 2004.

“Our vision as an organization is inspiring lifelong passion for the mountain experience, and Nic truly lived that vision,” he said.

Marek Warszawski, a Fresno Bee reporter who skied with Fiore, told The Times in 2004 that Fiore “was the smoothest skier on the hill, well into his 80s.”

Many ski instructors who worked with Fiore over the years — known as Fiore’s “disciples” — went on to lead their own ski schools, Warszawski said.

As a member of the newly formed California Ski Instructors Assn. in the late 1940s, Fiore was concerned about the quality and consistency of ski teachers in this country and advocated the creation of a national ski instructors association. The Professional Ski Instructors of America was founded in 1961.

Fiore remained vigilant in pushing the national organization to maintain high standards for the certification of ski instructors, John Armstrong, president of the Professional Ski Instructors of America and director of corporate training at Mammoth Mountain, told The Times in 2004.

On the personal side, Armstrong said, “You couldn’t hope for a more entertaining, kind and caring person to spend the whole day out on a mountain than Nic. Even if you were having trouble with snow or it was a stormy day, Nic was a cheerful and upbeat kind of man; he’d inspire you to stay out all day in a blizzard.”

But Fiore didn’t just teach ski technique, Armstrong said; he also was a “guide.”

“He’d talk to people about the mountains he had hiked to in the summer,” Armstrong said. “He knew the Sierra very well, and he’d talk about the animals, geology, vegetation and what it was like to go hiking way out there. He was just a great resource of knowledge.”

One of 12 children, Nicholas Fiore was born Dec. 1, 1920, in Montreal. After serving in the Canadian Army during World War II, he abandoned his dream of becoming a championship European bike racer and taught skiing in the Laurentian Mountains north of Montreal. Invited to become a ski instructor at Badger Pass by then-ski school director Luggi Foeger, Fiore drove into Yosemite Valley for the first time on the night of Dec. 8, 1947.

A heavy snow storm had obscured Yosemite’s spectacular landscape, and when Fiore woke up the next morning, he reportedly gazed in disbelief at the park’s towering granite walls. “This is fantastic!” he recalled saying. “But where in the world do the beginners learn to ski?”

He had planned to stay four months at the Badger Pass ski area, located above the valley floor beyond Glacier Point.

“After skiing here two days I was not even certain I wanted to stay the winter,” Fiore told The Times in 1988. “I thought I would be happier on a bigger mountain.” But, he said, “Deep down, Yosemite made such an impact on me. I fell in love with the place.”

As one ski season moved into another, Fiore became involved in various operations in Yosemite. While teaching skiing in the winter, he worked summers in the park’s hotels, including serving as maitre d’hotel of the Ahwahnee and managing the Glacier Point Lodge and the Wawona Hotel.

Fiore was named director of the Badger Pass Ski School in 1956, and in 1963 he also began managing Yosemite’s five High Sierra camps in the wilderness back country.

Among his various honors, Fiore received the prestigious Charlie Proctor Award in 1986 from the Sierra Chapter of the North American Ski Journalists Assn. in recognition for his outstanding contributions to the sport of skiing in Northern California and Nevada.

When Fiore’s health problems caused him to miss the opening of the Badger Pass ski resort’s 70th season in December 2004, his Yosemite colleagues called his absence the “end of an era.”

“Nic Fiore is an institution, and he is as much a part of Badger Pass as the buildings and the slopes,” Badger Pass operations manager Colin Baldock told The Times in 2004. “He’s maybe not here, but he’s definitely here in spirit.”

Fiore’s wife, Midge, died in 2003. In addition to his daughter Cindy, he is survived by his other daughter, Nicole Goc; and eight grandchildren.

Source: http://www.snowmenu.com/legendary-ski-instructor-nic-fiore-dies-aged-88-having-taught-130000-over-60-years/


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